quarta-feira, 29 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
VIAGENS NA HISTÓRIA - 23
UMA ESTRANHA HERANÇA
A viagem deste
mês leva-nos, para começar, aos séculos XII e XIII. E para tornar as coisas
mais claras, temos de passar brevemente pela Itália.
Foi aí que,
nesses séculos, decorreu a luta entre Guelfos e Gibelinos. Não podemos deter-nos
nesta questão; digamos que, «grosso modo», se tratou de um confronto entre o
Papado e o Sacro Império Romano-Germânico. Os Guelfos defendiam a supremacia do
Papa, os Gibelinos a supremacia do Imperador. Mas o termo «gibelino» ganhou,
pelo menos modernamente, um sentido histórico mais lato: designa, ainda que de
forma vaga e genérica, uma certa concepção que, mesmo sem deixar de respeitar o
pontífice de Roma, defende maior independência espiritual e política do
indivíduo e do Estado. Assim, têm sido associados a este “gibelinismo”
correntes e movimentos como o dos “espirituais” franciscanos e o dos
joaquimitas, ou seja, seguidores dos ensinamentos do abade Joaquim de Flora.
Entremos agora
em Portugal. O nosso país foi sempre, desde o início, um filho dilecto de Roma.
A nossa independência tornou-se indiscutível com a bula “Manifestis Probatum”;
o nosso primeiro rei declarou-se vassalo de São Pedro. Mas, simultaneamente, ao
longo da primeira dinastia portuguesa, houve sempre manifestações de
“gibelinismo”: é essa a estranha herança de que falo — estranha porque poucas
vezes tem sido reconhecida como tal pelos próprios portugueses.
O primeiro
sinal que dela temos é lendário: a história do “bispo negro”, que Alexandre
Herculano aproveitou e que mostra um D. Afonso Henriques recusando-se a
obedecer ao Papa. Trata-se de uma lenda, claro, mas as lendas dizem-nos muito
sobre a mentalidade e as ideias que prevalecem, a dado momento, em determinado
contexto social.
Já não são
lendários os constantes conflitos entre a coroa e a alta hierarquia
eclesiástica durante os reinados de D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II e
D. Afonso III. Houve uma trégua com D. Dinis, porque este foi um mestre em
diplomacia; mas foi também ele quem torneou a decisão pontifícia de dissolver a
Ordem do Templo para obter a criação da Ordem de Cristo, em que se integraram
todos os templários portugueses. E, mais tarde, será com o neto deste mesmo
rei, D. Pedro I, que entrará em vigor o chamado Beneplácito Régio,
estabelecendo que nenhum documento vindo da Cúria romana será válido sem o
acordo expresso do soberano, que mandará verificar a sua autenticidade e também
se não contraria as leis do país. É, verdadeiramente, uma expressão da
concepção gibelina do poder.
Mas há que
referir ainda as vozes da heterodoxia religiosa, que foram depois abafadas mas
cujo murmúrio chega até nós: a influência dos espirituais franciscanos; as
ideias de um certo Afonso Geraldes de Montemor e as de um certo Tomás Escoto,
que pregou na igreja de Santos, em Lisboa — ambos foram fulminados pela furiosa
e ortodoxa pena de Frei Álvaro Pelágio, bispo de Silves. Que, por sua vez, foi
mandado calar por D. Afonso IV e D. Pedro I e teve de abandonar a sua diocese.
Falta-nos o
espaço para continuar. No entanto, o que aqui fica já basta para entender que —
sem, de modo algum, negar o papel importante na nossa história dos grandes
nomes ortodoxos da Igreja — deveremos considerar, no nosso legado, essa
“corrente gibelina” e, com ela, as linhas não-canónicas de pensamento filosófico
e religioso que surgiram em Portugal. Talvez mereçam mais atenção e um estudo
mais atento.
João
Aguiar
![]() |
| Charola do Convento de Cristo — em TOMAR |
terça-feira, 23 de abril de 2013
VIAGENS NA HISTÓRIA - 22
OS ESQUECIDOS
Em 1732, reinava em
Portugal D. João V, foi publicado em Lisboa o primeiro tomo de uma obra
intitulada «Ennoea, ou aplicação do entendimento sobre a Pedra Filosofal», cujo
segundo tomo sairia no ano seguinte.
O autor era um médico
formado em Coimbra chamado Anselmo
Caetano de Abreu Gusmão Castelo Branco. Para os estudiosos das ciências
herméticas, ele tem a particularidade de ser o único, ou um dos muito poucos
alquimistas portugueses — conhecidos, entenda-se.
Não vamos tratar aqui de Alquimia, portuguesa ou estrangeira. O caso do
Dr. Anselmo Caetano Castelo Branco é mencionado por ser um daqueles estudiosos
portugueses que ousaram debruçar-se sobre matérias heterodoxas. E digo
«ousaram» porque, regra geral, não era seguro fazê-lo. Veja-se outro exemplo: Frei Vicente Nogueira (1586 – 1654), fidalgo,
escritor, cónego da Sé de Lisboa, coleccionador de livros; sabia grego,
latim, caldaico, siríaco, árabe, italiano, francês e castelhano. A Inquisição
apreendeu-lhe a biblioteca, muito rica em obras herméticas. Em 1631, partiu
para Roma, possivelmente para evitar outros inconvenientes maiores. É verdade
que a Restauração de 1640 lhe reconheceu os méritos, pois Vicente Nogueira exerceu o cargo de
encarregado de negócios de Portugal junto da Santa Sé entre 1643 e 1654;
considerando estas datas, vemos que não regressou ao seu país.
Poderia, se tal tivesse
interesse, publicar aqui uma lista bem longa de nomes que, de uma forma ou de
outra, sofreram, ao longo da História, as amarguras das limitações impostas à
pesquisa, ao estudo e à especulação, seja no campo religioso, seja no campo
filosófico ou na pesquisa científica. E note-se que, nesta matéria, estou muito longe de ser
fundamentalista: reconheço (nem todos o fazem) grandes méritos a D. João V, em
cujo reinado se assinalam importantes iniciativas culturais; e nem sequer mando
para o inferno D. João III, uma figura histórica demasiado complexa para ser
atabalhoadamente despachada para o rol dos beatos tapados e maléficos — ao
contrário do que pensa e escreve muita gente bem pensante.
Estou, assim, muito à
vontade para dizer o que penso; e penso que ainda hoje (sim; ainda hoje)
sofremos, não raro, da estreiteza que nos foi imposta por alguns séculos de
Inquisição. Note-se que esta, sob as suas muitas formas (e, atenção, não
somente a católica romana), foi um fenómeno geral e não peninsular. Digamos,
porém, que por cá durou mais tempo, ou/e foi mais abrangente, e isto por
motivos vários.
Não posso, agora, enumerar
nem analisar esses motivos. Posso apenas observar que a Inquisição nos deixou
uma larga ferida que ainda não sarou por completo. É claro que hoje se disfarça
essa influência inconfessável e que, de resto, tem muito, tem quase tudo de
inconsciente. Mas não será por acaso que o nosso solo não parece ser muito
apropriado para a cultura da inovação. Os inventores portugueses ganham
medalhas de ouro — mas as suas invenções, essas, nunca as vemos. E os homens
que no passado abriram a janela do pensamento estão hoje esquecidos, quase
todos.
Por isso aqui lhes presto
homenagem.
João Aguiar
![]() |
Biblioteca do Convento de Mafra
|
domingo, 14 de abril de 2013
VIAGENS NA HISTÓRIA - 21
VIAGEM A MARIALVA
Entenda-se: não
me refiro à povoação. Esta viagem é ao mundo histórico dos marqueses de
Marialva. Confesso que o uso do termo «marialvismo» e da palavra «marialva»
como substantivo comum (muitas vezes, mesmo, como adjectivo) começou a intrigar-me
a partir do momento em que, por curiosidade e às vezes por necessidade,
pesquisei, ainda que superficialmente, as vidas dos seis marqueses de Marialva.
Toda a gente
sabe — mais ou menos — o que são o marialvismo e os marialvas: copos, estúrdia,
machismo, mulheres «de má nota», touradas, cavalos, ócio, fidalguismo estéril,
etc. Ora, quando eu, ingenuamente, fui à procura disto no 1º marquês de
Marialva, D. António Luís de Menezes, encontrei, antes, um herói nacional:
conspirador de 1640, general brilhante durante a Guerra da Restauração
(vencedor nas Linhas de Elvas e em Montes Claros, etc., etc.) e um dos
plenipotenciários portugueses nas negociações do Tratado de Madrid (1668), que
pôs termo à guerra com a Espanha. Passei ao 2º marquês, depois ao 3º… para
abreviar: só no 4º marquês de Marialva, D. Pedro José de Alcântara Menezes
Noronha Coutinho, é que fui encontrar um «toque» de marialvismo, porém muito
distorcido: este 4º marquês foi, simplesmente, um dos melhores cavaleiros
europeus do seu tempo; tanto assim que à boa equitação se deu o nome de «arte
de Marialva». Mas D. Pedro José (etc.) não se limitou aos cavalos, também foi
sócio da Academia Real das Ciências, o que parece indicar que tinha outros
interesses. E nada disto, equitação incluída, é propriamente marialvismo, no
sentido negativo. Dos outros marqueses de Marialva, o 2º e o 3º combateram na
Guerra da Sucessão de Espanha; e todos os seis foram militares. O 6º, que
morreu solteiro e sem filhos, foi também diplomata. Ponto final. Em que ficamos?
Sem pretensões
de defender tese histórica, eu acho, timidamente, que a culpa de tudo pertence
a Júlio Dantas. Que resolveu escrever uma peça de teatro sobre a vida da famosa
Maria Severa, fadista bonita (e de «má nota») que viveu entre 1820 e 1846.
A Severa fora —
toda a Lisboa o sabia — amante do 13º conde de Vimioso, D. Francisco de Paula
de Portugal e Castro. E este, sim: era aquilo a que se chama hoje um
«marialva»: ócio, touros e cavalos (admita-se que nesse campo era muito destro
e valente), copos, faduncho, boémia, inutilidade, machismo, enfim, todo o
programa do «marialvismo» decadente. Uma pena, já que a casa de Vimioso dera ao
país gente muito ilustre, pelo menos até ao 7º conde, D. Miguel de Portugal.
Então, porquê
«marialvas» e não «vimiosos», porquê «marialvismo» e não «vimiosismo»? Julgo
que por isto: Júlio Dantas, a pedido do chefe do Governo, Hintze Ribeiro,
aceitou poupar a família Vimioso. E como o último marquês de Marialva morrera
em 1823, Dantas resolveu inventar um «conde de Marialva» (título que existiu,
mas que se extinguiu no século XVI) e fazer dele o amante da Severa. Ora, esta
peça teatral de Júlio Dantas veio a ser adaptada ao cinema por Leitão de
Barros: o primeiro filme sonoro português e, na época (1930), um grande êxito
de bilheteira. Estava feita a transformação de «vimioso» em «marialva». E os
fados começaram a cantar os marialvas e as severas e tudo ficou consumado.
Se algum
erudito me quiser dar na cabeça, com argumentos (e documentos) de peso, não me
queixarei. Desde que os argumentos e documentos sejam mesmo de peso. Até lá,
acho que é devida uma desculpa aos marqueses de Marialva…
João
Aguiar
![]() |
Joaquim Carneiro da Silva, 1727-1818
[5º Marquês de Marialva]
|
domingo, 7 de abril de 2013
VIAGENS NA HISTÓRIA - 20
VIAGEM AO VENDAVAL
Serve esta
viagem na História para prestar homenagem a um homem português, pouco
brilhante, mas muito injustiçado. Quanto ao vendaval de que se fala aqui,
inclui várias rajadas destruidoras: a Revolução Francesa e as suas
consequências em toda a Europa; a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão;
a Revolução Liberal portuguesa; a independência do Brasil e, pelo meio, várias
guerras. Foi isto o que o tal homem injustiçado teve de enfrentar —e muito mais
ainda, por acréscimo.
O leitor já
terá percebido que estou a evocar a figura do rei D. João VI. Certas
historiografias — a romântica, a marxista, entre outras — têm zurzido
impiedosamente este monarca. Mas os juízos que sobre ele fazem são, no mínimo,
apressados. Poucos governantes, nacionais ou estrangeiros, tiveram de enfrentar
um período de tantas mutações brutais, um «salto» tão fundamental na evolução
social, política, económica e ideológica como D. João VI enfrentou ao longo dos
34 anos em que chefiou o Estado, primeiro em nome da sua mãe, D. Maria I,
depois como regente oficialmente investido e finalmente como rei. Note-se,
também, que D. João não contava, de todo, subir ao trono: o herdeiro era o seu
irmão D. José, príncipe do Brasil, ao que parece com melhor cabeça e que fora cuidadosamente
preparado por Pombal, mas que viria a morrer aos vinte e sete anos.
A questão é
muito simples: durante o vendaval, europeu e português, a que me referi,
Portugal teria necessitado de um génio e de um herói. Que pena: em vez disso,
teve somente um homem sensato, honesto, bem intencionado e pacífico, ansioso
por evitar conflitos e derramamentos de sangue. Ora, a esse homem, o que lhe
saiu na rifa foi uma série de guerras e revoluções, uma família desunida em que
se remexia uma amantíssima esposa militantemente reaccionária, um país
invadido, destroçado, economicamente destruído e saqueado pelos invasores.
Seria difícil fazer melhor do que ele fez, nas circunstâncias em que ocupou o
trono de Portugal.
Não é possível
apresentar aqui o historial do reinado de D. João VI. O que é possível — e,
atrevo-me a dizer, necessário — é fazer a seguinte advertência: não devemos
iludir-nos ingenuamente com o pouco brilho e a barriga do senhor, tal como os
retratos o mostram. Não era um tonto que ali estava. A retirada da família real
para o Brasil foi um golpe de mestre e D. João, então ainda regente, adoptou
uma política extremamente subtil, mesmo maquiavélica: arranjou as coisas de
modo a que, na Europa, Portugal pudesse ser considerado como «aliado» da França
(por isso deixou disposições para que não houvesse resistência); ao mesmo
tempo, mantinha os portos brasileiros abertos aos navios ingleses, para jogar a
cartada britânica logo que o ímpeto napoleónico fosse quebrado. Nada disto era
heróico, mas ele não queria heroísmo, queria, sim, acautelar a futura
independência do seu povo e poupar-lhe, quanto possível, as misérias de uma
guerra.
Nos conflitos
que acompanharam a instauração do constitucionalismo, o rei agiu sempre no
sentido de apaziguar os ânimos, de conseguir uma evolução pacífica, de promover
a concórdia. Quem sabe, se não o tivessem assassinado — como parece ter sido o
caso —, talvez ainda pudesse concretizar uma parte do seu sonho, um país
pacificado, um povo reconciliado consigo mesmo.
Se falhou (e falhou),
a culpa não foi sua. O seu grande defeito foi não ter sido um génio. Bom, mas
criticar é fácil e aqueles que o têm coberto de lama também o não foram, nem
são…
João
Aguiar
domingo, 31 de março de 2013
VIAGENS NA HISTÓRIA - 19
A TEIMOSIA
Desta vez, para
realizarmos convenientemente a nossa viagem na História, seria preciso seguir o
exemplo de Santo António ao produzir o milagre da ubiquidade — difícil, porque
nenhum de nós é santo. Ou seja, teríamos de fazer várias viagens ao mesmo
tempo. Para simplificar, proponho somente três incursões no passado, a primeira
das quais a Massangano, no século XVII.
Massangano fica
na margem direita do rio Cuanza, em Angola. Tem uma inegável importância na
história colonial, porque foi palco de vários combates. Mas o que interessa,
aqui, é o período que vai de 1641 a 1648. Durante esses sete anos, Luanda
esteve em poder dos holandeses, que passaram, na prática, a dominar Angola —
mas não a totalidade do território: as autoridades portuguesas foram
entrincheirar-se em Massangano, que se tornou a capital portuguesa de Angola.
Em 1648, Salvador Correia de Sá expulsou os holandeses de Luanda e os
portugueses de Massangano foram finalmente socorridos.
Esta crónica
não é um hino de louvor ao colonialismo (português ou holandês); mas a História
não é alterável. O que quero salientar, aqui, é a furiosa persistência (a
teimosia!) com que os portugueses se agarraram àquela praça empoleirada sobre o
Cuanza. No princípio dos anos 70 (século XX, claro), visitei Massangano; e,
mesmo então, a vista das ruínas — igreja, fortaleza, tribunal, enfim, os
edifícios de uma administração reduzida mas decida a funcionar — era
impressionante. Como puderam resistir naquela solidão, militarmente acossados
de todas as partes e sujeitos às febres que levaram muitos deles? Que teimosia
foi aquela?
Segunda viagem:
será breve, porque já me referi ao assunto em crónica anterior: o segundo cerco
de Diu, em 1546. Durou seis meses e quando D. João de Castro pôde finalmente
intervir e libertar a praça, já esta não era muito mais que uma grande ruína,
mas onde ainda se combatia. De fins de Abril a Novembro de 1546, os sitiados,
homens e mulheres, combateram com raiva. Recusaram as propostas de rendição com
honra, que lhes permitiriam partir levando os seus haveres. Não podemos, hoje,
imaginar o que terão sido aqueles seis meses na fortaleza de Diu. Uma vez mais:
teimosia!
E a terceira
viagem vai mais longe no tempo e é mais vasta no espaço: refiro-me a toda a
história da implantação portuguesa no Oriente. Um historiador inglês bem
conhecido, o Prof. Charles Boxer, dá-nos uma perspectiva de estrangeiro, que é
sempre bom ter em conta quando é honesta (como é o caso), mesmo se por vezes
algo incorrecta ou injusta. No seu livro «O Império Marítimo Português», Boxer
faz notar, com justeza, que se fala muito das conquistas portuguesas no Oriente, mas que se fala pouco das
várias tentativas falhadas que antecederam essas conquistas. E comenta, em substância,
que os portugueses mostraram uma enorme tenacidade, uma enorme determinação
(uma enorme teimosia!) na construção do seu império marítimo.
Como o leitor
compreendeu, era à teimosia que eu queria chegar com estas viagens. Ponhamos de
lado as possíveis motivações e as explicações — bravura, força espiritual, sede
de riquezas e de poder, ardor religioso, ganância, tudo isso esteve presente em
proporções diversas, mas não é, aqui, o meu tema. O meu tema é a persistência,
a coragem da teimosia que os portugueses mostraram em vários momentos da sua história,
e não só nestes que acabo de referir. Como país e como povo, somos um caso de teimosia.
E que falta ela
nos faz, hoje…!
João
Aguiar
![]() |
| TORRE DE BELÉM - Lisboa |
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